Estava conversando com um amigo sobre a proliferação de telas ao nosso redor, especificamente dentro do metrô. Ele disse que sempre temos a opção de não olhar mas, só o fato de não podermos direcionar o nosso olhar livremente, já não é uma invasão?
Veja o esquema seguinte:
1 | Essa é a vista aérea de parte do vagão do metrô; estão indicadas as malditas tvzinhas e onde estou sentada

2 | Como foi mostrado no esquema 1, estamos encurralados pelas telas. Caso eu queira, inofensivamente, virar minha cabeça de lado, acontecerá o seguinte:

Invasão. Provavelmente alguma notícia relevante como a prisão de mais um ator holywoodiano por dirigir bêbado ou o resumo da novela das 8.

3 | Se a pessoa não estiver a fim de ingerir tais informações, ela não poderá olhar para os lados (tendo em vista que à sua frente é o único sentido em que não há telas – como foi mostrado no esquema 1). Assim, ela deverá manter-se fixa em sua posição, ou seja, não tem o direito de direcionar livremente o seu olhar.
Como se não bastasse, sequer sei se a opção de endurecer o pescoço é a vontade da maioria. Alguém se lembra de uma pesquisa sobre o desejo da população em ter telas dentro do seu meio de transporte diário? O triste é imaginar que, caso houvesse uma votação sobre o assunto, o resultado seria a favor das telas, pois as pessoas se sentiriam solitárias quando não acompanhadas de seu ator global favorito. Para que contentar-se com uma CARAS dentro de sua bolsa quando o dito-cujo em pessoa pode sorrir para você diante dos seus olhos, aonde quer que você esteja?
